As diferenças de Pixar e Dreamworks

10 09 2009

Foi-se o tempo que Disney era sinônimo de animação. Hoje, a vanguarda dessa seara está com estúdios de estilos quase opostos

Desenho não é coisa só de criança há um bom tempo. E isso se deve – e em muito – a Pixar (de Toy Story, Procurando Nemo, Wall-E, etc.) e a Dreamworks Animation (de Shrek, Madagascar, Kung-Fu Panda, etc.). Equilibrando humor ora ingênuo, ora sarcástico, e por vezes até malicioso – no caso da Dreamworks -, a roteiros descolados e uma infinidade de referências pop, suas produções ganharam adultos e crianças. E mais: essas animações – principalmente da Pixar – têm se mostrado uma das únicas garantias de boa diversão oferecida pelo cinema. Mas, apesar das aparentes semelhanças, esses gigantes são bem diferentes.

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PIONEIRA E CRIATIVA

Desde que a Pixar (conjunção fonética de ”pixel” e ”arte”) revolucionou o cinema, com o aclamado Toy Story, de 1995 – primeiro filme feito em computação gráfica – a história se repete. A cada produção, ela nos apresenta novos carismáticos personagens – talvez por isso, o peixinho Nemo, o astronauta Buzz Lightyear e o robô Wall-E são para os pequenos de hoje o que Mickey, Bela e Simba foram para gerações anteriores. O segredo está não só na excelência técnica, mas também na criatividade dos argumentos e na originalidade das abordagens. Na prática, o que se vê é a mais consistente e – até hoje – ininterrupta sequência de sucessos do cinema. Ao todo, são nove produções – sendo uma continuação, justamente de Toy Story – que arrecadaram nos cinemas U$S 5 bilhões e conquistaram 24 indicações e seis prêmios Oscar.

A companhia, que começou como uma divisão da Industrial Light & Magic, do diretor George Lucas (de Guerra nas Estrelas), apenas ganhou o nome Pixar ao ser comprada, em 1986, por Steve Jobs (ele mesmo, o pai do iPod e iPhone). Hoje, a Pixar pertence a Disney, que desembolsou, em janeiro de 2007, U$S 7,4 bilhões por ela, e tornou Jobs seu maior acionista. Apesar disso, os departamentos de animação dos estúdios continuam a trabalhar separados, porém sob o comando de um mesmo homem. Seu nome: John Lasseter, do pioneiro Toy Story, que curiosamente foi despedido da Disney no início dos anos 80 ao sugerir um desenho em computação gráfica, algo considerado caro e sem futuro. Não por acaso, a nova animação da Disney (que inventou esse gênero), Bolt, é seu melhor desenho desde O Rei Leão, de 1994.

A Pixar atualmente prepara o lançamento de Up. O filme, que chega em junho, de cara encanta pela curiosa e inventiva história: vendedor de bexigas de 78 anos chamado Carl Fredricksen resolve amarrar milhares delas à sua casa e sair voando; o que Carl não sabe é que um escoteiro de 8 anos embarcou sem querer nesta aventura. O ótimo trailer está disponível em www.pixar.com/featurefilms/up. Além disso, o título marca a adesão do estúdio, que produz só desenhos em computação, a onda de filmes em 3D.

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TESTADO E APROVADO

Três anos depois da Pixar lançar Toy Story, a Dreamworks apresentou sua primeira animação em computação. Formiguinhaz, lançado, em 1998, já mostrava algumas das suas principais características, como o uso de dubladores super-famosos, como Woody Allen, Sharon Stone, Sylvester Stallone e Gene Hackman. Apesar do início pouco empolgante, a Dreamworks não demorou a mostrar suas armas, a mais evidente os roteiros pra lá de irreverentes. Com Shrek, em 2001, ela não só conquistou crítica e público, como satirizou, da primeira a última cena, a Disney. Em uma paródia a Cinderela, Fiona fazia dueto com um passarinho, até levá-lo à morte com seus agudos. Já em outra cena, Branca de Neve e – novamente – Cinderela resolviam suas desavenças no tapa. As piadas renderam boas risadas e meio bilhão de dólares aos cofres do estúdio. 

Assim, passados três anos, lá veio a Dreamworks nos oferecer mais do mesmo. Shrek 2 potencializava o que havia agradado na primeira versão e era superior ao antecessor. Resultado: maior bilheteria da história de um desenho – marca que ainda se mantém. A partir daí, o fato é que de repente o modelo testado e aprovado em Shrek virou fórmula – muito bem sucedida, é verdade. Entre os altos e baixos, que se seguiram, Madagascar e Kung-Fu Panda foram os filmes mais rentáveis. Logo, o primeiro deu origem a uma continuação em cartaz no País e já tem uma segunda anunciada, o mesmo vale para o longa do panda Po que deve ganhar uma sequência em 2011. Antes disso, em 2010, será a vez de Shrek fazer sua quarta aparição. Ao todo, a Dreamworks já produziu 12 animações digitais – sendo três continuações – que juntas arrecadaram U$S 5,1 bilhões no cinema e conquistaram cinco indicações e um prêmio Oscar . 

Atualmente, a Dreamworks trabalha em Monstros vs. Alienígenas, que estreia em abril e será seu primeiro filme em 3D. Na verdade, Dreamworks e Pixar anunciaram que a partir deste ano todas as suas produções serão exibidas no formato. De qualquer forma, o novo longa promete ser uma sátira aos filmes B da década de 50 – olha a fórmula ”Shrek” aí de novo (Kung-Fu Panda também era uma sátira, no caso, dos filmes de artes marciais). O longa conta a história de uma garota gigante que luta ao lado de simpáticos monstros contra alienígenas. O trailer recheado de referências pop está disponível em www.paramountpictures.com.br. Ao contrário da Pixar, a Dreamworks já se aventurou pela animação 2D e pela animação stop-motion, com os bons A Fuga das Galinhas e Wallace & Gromit (ganhador de um Oscar). Atualmente, a Dreamworks parece presa a uma fórmula que invariavelmente envolve ”bichinhos fofos” que se comportam como humanos e/ou vivem conosco. A Pixar, por sua vez, investe em histórias que fogem do lugar comum e impressionam pela variedade de temas.

CELEIRO CRIATIVO

A ascensão desses dois estúdios fez com que até o Oscar se rendesse, criando em 2002 o prêmio para melhor animação. De lá pra cá, em três oportunidades a Pixar sagrou-se vencedora e a Dreamworks em duas. Neste ano, Wall-E e Kung-Fu Panda são apostas certeiras entre os finalistas. Mas, para muitos especialistas, o longa da Pixar pode ir além. E se tornar o segundo desenho a conquistar uma vaga para o prêmio de melhor filme – o primeiro foi A Bela e a Fera, da Disney, em 1992. A lista de indicados do Oscar sai na quinta-feira (22).

Hoje a Pixar, muito mais do que ser a marca mais forte quando o assunto é animação digital – posto que ela divide com a Dreamworks, e logo atrás vem a Blue Sky, de A Era do Gelo -, é indiscutivelmente o maior celeiro criativo do cinema americano. Um ateliê cuja criatividade dos seus artesãos parece não ter fim. Além disso, a Pixar é chefiada por um artista, o diretor John Lasseter, de Toy Story. Já a Dreamworks tem como todo-poderoso um homem de negócios, o produtor Jeffrey Katzenberg, ex-executivo da Disney. Eis uma pequena diferença que explica muita coisa.

*texto meu publicado originalmente no Caderno 2, do Estadão, em 20 de janeiro de 2009.





Um link toda quinta-feira

30 01 2009
Será o fim das locadoras?

Será o fim das locadoras?

Imagine você poder assistir 12 mil filmes diferentes (esse número cresce a cada dia) na hora em que você quiser. É uma espécie de YouTube legal com todos os filmes do mundo. Pois é, essa maravilha existe e custa a módica quantia de U$S 9 por mês, para você assistir a quantos filmes você aguentar. Eu pago!

Nem tudo é perfeito, é claro! Como o sistema funciona de forma semelhante ao YouTube (você assiste o vídeo por streaming), por isso, no caso de você querer voltar ou correr alguma cena haverá uma pequena demora enquanto o vídeo carrega. Eu topo mesmo assim!

O problema é que isso só está disponível nos EUA e se chama Netflix. Uma locadora online que fez fortuna ao criar o modelo de locação pelo correio, mais tarde copiado por todo mundo. Aqui no Brasil há serviços parecidos como o NetMovies.

Agora, a Netflix esta bombando com esse novo modelo, enquanto as outras empresas investem no download legal de filmes pela rede (será que tem futuro?). E tem gente que ainda acha que o Blu-ray tem futuro!

Segue link para o texto do David Pogue no The New York Times de ontem, com mais detalhes sobre essa história toda:

Awash in a Stream of Movies;





Um vídeo toda quarta-feira

29 01 2009

O vídeo abaixo é um viral da T-Mobile, operadora de celular que opera na Europa e EUA. Nele, alguns bailarinos começam a dançar vários ritmos musicais no meio da Estação de Trem de Liverpool.

Enquanto isso, algumas pessoas começam a filmar, fotografagar e fazer ligações (possivelmente para contar o que estava se passando), tudo pelo celular é claro. No final do vídeo, o slogan “Life’s for Sharing” (a vida é para ser compartilhada, em inglês) explica tudo. Muito bom!

A inspiração da equipe da T-Mobile provavelmente veio de um outro vídeo famoso na web, do pessoal do improveverywere.com. Confira abaixo e comprove as semelhanças:

Dica do Matias.





Pixar e a esnobada do Oscar

27 01 2009

Com algum atraso, é verdade, venho comentar sobre a lista de indicados para o Oscar 2009. Entre os títulos que concorrem ao prêmio máximo apenas ‘Benjamin Button’ estreou por aqui, portanto foi o único que vi. Apesar de ter gostado do filme, me parece que o ganhador deve mesmo ser ‘Slumdog Millionare’. Veja o trailer abaixo:

De qualquer forma, o motivo deste post é outro. Na terça-feira da semana passada, ou seja, dois dias antes de sair a lista de indicados, foi publicado um texto meu no Caderno 2 sobre as diferenças entre Pixar (de ‘Toy Story’, ‘Procurando Nemo’, ‘Wall-E’, etc.)  e Dreamworks (de ‘Shrek’, ‘Madagascar’ e ‘Kung-Fu Panda’).

Nele, eu comentava sobre a possibilidade de ‘Wall-E’ se tornar o segundo desenho a conquistar uma vaga para o prêmio de melhor filme – o primeiro foi A Bela e a Fera, da Disney, em 1992. A indicação não veio e a pergunta que fica é até quando o Oscar vai insistir em esnobar a Pixar?

A julgar pelo excelente trailer de ‘Up – Altas Aventuras’, nova produção da Pixar, ano que vem o Oscar terá uma nova chance de se redimir e reconhecer o trabalho feito neste ateliê comandado por John Lasseter.

Por falar nele, o Festival de Veneza vai premiar nesta edição a Pixar e seu comandande pelo conjunto da obra. Belo e justo reconhecimento!





Benjamin Gump ou Forrest Button

27 01 2009

Muitos têm apontado as semelhanças entre o filme com Tom Hanks de 1994 e o novo longa de Brad Pitt. Para quem não sabe, o roteirista dos dois filmes é o mesmo: Eric Roth.

Particularmente, vejo algumas semelhanças entre os títulos. Mesmo assim, acredito que ambos são bons filmes, com uma bela vantagem para ‘O Curioso Caso de Benjamin Button’.

Mas, como diz o ditado, uma imagem vale mais do que mil palavras. Um vídeo do Funny or Die esclarece a confusão e mostra que na verdade eles são o mesmo filme. Hilário…





Hello world!

27 01 2009

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